O ditado “uma imagem vale mais que mil palavras” pode ser bastante falho, de vez em quando. Reconhecido pelas palavras, o grupo liderado por Mano Brown chamou a atenção justamente por causa de uma imagem, em que aparecem armados. Quem divulgou a foto foi Sau Santiago, músico e produtor, e gerou discussão nas redes sociais. O que não foi amplamente divulgado é que tal foto foi captada durante a gravação do novo clipe, “Marighella”, música que estará presente no novo trabalho dos rappers.

Carlos Marighella foi um ativista político durante a ditadura militar. Ele fundou a ALN (Ação Libertadora Nacional), que em setembro de 1969 participou, em ação conjunta com o MR-8, do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick. Em novembro do mesmo ano, Marighella foi morto em uma emboscada por agentes do DOPS, comandados pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Com toda a discussão recente sobre a Comissão da Verdade, que vem trazendo a tona fatos e histórias ocultas do mais obscuro período da sociedade brasileira, os Racionais MC’s buscam a justiça e trazem a discussão ao rap nacional, tão em evidência também.

Segundo a assessoria de imprensa do grupo, o clipe sai no próximo mês. Já o novo disco ainda não tem previsão. Ouça a faixa:

Foto: www.lobao.com.br

Se ao longo da carreira o músico Lobão foi considerado polêmico, não seria na internet que ele fugiria desse paradigma, onde tudo é maximizado e divulgado com imensa rapidez. Totalmente integrado às redes sociais, sua conta no twitter tem mais de 160.000 seguidores. Além disso, ele tem o hábito de usar o tumblr (alucinadamente) e Facebook. Pois seu website foi totalmente remodelado com essas ferramentas, incluindo aí um blog, que traz raridades e letras inéditas. Inegavelmente, um cara que tem muita história pra contar, algumas podem se perder pelo caminho. Um poema do ano passado, que postou no tumblr, quase o perdi com o tempo. Felizmente, o site recuperou isso e está lá “O estrangeiro“, escrito durante uma passagem de som no Ceará.

Mas, para os fãs do artista, talvez a maior novidade seja o fato de a discografia completa estar liberada para audição, com as letras. Também estão lá as duas músicas que ele lançou com a autobiografia “50 anos a mil”: “Das tripas, coração” e “Song for Sampa”, essas disponíveis para download.

O agora também apresentador do programa A Liga, da Band também disponibiliza suas matérias, além de todas aquelas utilidades de sites profissionais, como agenda, contatos profissionais, etc. Felizmente não é apenas mais um cartão de visitas na grande rede. Percebe-se que houve uma intensa e cansativa pesquisa para chegarem a esse resultado. Se como músico, ele tem o que dizer, agora tem um endereço virtual a altura.

Onde: www.lobao.com.br

 

 

Eles começaram pelo fim. Quando o Maybees, que cantava em inglês, se dissolveu, chamaram um novo baterista e fundaram uma nova banda independente. Em 2003 lançaram o EP “Dois a rodar” e no ano seguinte já ganharam o VMB (premiação da MTV) com o clipe de “Princesa”.

Passados alguns anos, eles lançaram outros CDs e se envolveram em projetos diversos. Em 2006, por exemplo, fizeram parte da turnê Tecnicolor, uma homenagem aos Mutantes, com Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico). O último CD de estúdio foi lançado em 2009, o “Caligrafia”, o terceiro da banda.

Em 2011 soltaram o EP “Minha economia” de forma bastante peculiar. A capa era feita a mão e a numeração carimbada individualmente pelos próprios membros. No Youtube tem um vídeo bacana sobre esse processo. Apesar de serem de São Paulo, lançaram-no em um show em São Luís, onde a banda tem muitos fãs.

Comemorando 10 anos de independência e caminhando com as próprias pernas, disponibilizaram este mês para download gratuito o novo EP “O paraíso”. Vanessa Krongold (voz), Mauro Motoki (guitarra, teclado e voz), Habacuque Lima (guitarra) e Paulo Chapolin (bateria e percussões), membros fixos, ainda chamaram o baixista Hurso Ambrifi para fechar o projeto. São quatro faixas do pop rock que Ludov se acostumou a mostrar, sem muitas novidades sonoras, ainda que um pouco mais poético.

Agora eles tocam na Virada Cultural Paulista, em duas cidades, e prometem tocar todas as músicas novas.

Serviço – Virada Cultural Paulista 2012
Ludov (SP)
LOCAL: Palco Externo – Praça de Eventos, Caraguatatuba (SP)
DATA: 19.05.12
HORÁRIO: 19h30 às 20h30

Ludov (SP)
LOCAL: Palco Interno /LOCAL: Teatro Tupec, Mogi Guaçu (SP)
DATA: 20.05.12
HORÁRIO: 15h às 16h

Na última sexta-feira, o cantor Cícero lançou seu novo clipe, de Ponto Cego. A produção segue a linha da anterior, Tempo de Pipa, colocando o Rio de Janeiro como um personagem que ali se apresenta. Se o anterior é um plano sequência filmado no bondinho de Santa Teresa, este é uma câmera frenética registrando intervenções artísticas no Largo da Carioca, no movimentado Centro da cidade.

Cícero

Ponto Cego: clipe tão acertado quanto o primeiro

O CD do Cícero, Canções de Apartamento pode ser baixado aqui. É um dos melhores álbuns que eu ouvi nos últimos tempos, mas peca um pouco pela linearidade – não há muita variação entre uma faixa e outra. Mas quem se importa? É sexta-feira, amor!

por @marco_sa

Emicida - Preso em BH

Hoje é dia 13 de maio, aquela fatídica data em que aprendemos, ainda na pré-escola, a comemorar a abolição da escravatura. Mas calhou de ser dia das mães, como é anualmente todo segundo domingo deste mês. Então as redes sociais foram tomadas por mensagens carinhosas às mães, que obviamente merecem. Pouquíssimas menções à data de valor histórico, ainda que tenhamos acabado de discutir e julgar nas redes sociais – porque na internet somos todos juristas e legisladores – a legalidade das cotas raciais.

Domingo, 13 de maio de 2012. Belo Horizonte. O rapper Emicida foi preso após um show. Alegam desacato a autoridade. Andam falando por aí que a polícia não gostou quando ele cantou “Dedo na ferida” (destaque aqui), escrita em homenagem às vítimas do Pinheirinho. Assim como em São Paulo, o governo estadual de Minas é comandado pelo PSDB. Emicida é negro. Um negro que foi preso no dia da abolição. Os teóricos da conspiração estão armados no twitter para alegar racismo ou que é culpa de determinado partido. Quem sou eu para advogar em tantas causas? Podem estar certos, assim como pode ser mais algum devaneio fundamentalista, disfarçado de democracia.

Não é a primeira vez que a polícia usa a justificativa do “desacato” para prender um artista. Largamente praticado na época da Ditadura Militar, o fato repetiu-se já este ano, quando Rita Lee, no que aparentemente foi seu último show, foi presa em Sergipe. Rita Lee provoca, dirão alguns. Ela é maluca, dirão outros. Surpreendentemente, sempre haverá alguém que, por puro conservadorismo ou submissão ao poder, desqualifica com esse tipo de julgamento, baixo e sombrio.

Rita Lee é branca. Emicida, como já disse antes, negro. Pode ter sido vítima de racismo, coisa que não aconteceria com ela e que mancharia ainda mais a data de hoje. Independente da questão racial, além do talento, eles tem em comum uma coisa: ambos estavam criticando a violência. A primeira, a truculência dos policiais sergipanos com sua plateia; o segundo, o terrorismo praticado contra a população pobre em São Paulo. Ambos os artistas foram repreendidos com violência.

Desacato? Desculpa. O que houve hoje em Minas Gerais envergonha os dizeres de sua bandeira. Censura também é uma forma de violência. Usar a desculpa é violentar os valores republicanos. Provavelmente, a ordem de prisão nem tenha partido dos policiais de plantão, já conhecemos esse modus operandi de calar a crítica com truculência… Assim como percebemos que a liberdade, ferida, está cada vez mais tardia, somos todos escravos de um sistema reacionário.

Continue lendo…

 

O caminho da independência em relação às gravadoras não é fácil para todos. Ao mesmo tempo que grandes nomes como Foo Fighters[bb] e Pearl Jam[bb], lá fora e, recentemente, Kid Abelha[bb], por aqui anunciam o rompimento com suas majors, existem milhares de outras bandas trilhando o caminho contrário, buscando visibilidade em meio à crise do mercado fonográfico.

É notável que o rock perdeu espaço no mainstream. No Rio, pouquíssimos festivais e promoção, comparando com décadas anteriores. Preocupados com a cena, um grupo de produtores está organizando o FBI – Festival de Bandas Independentes, que deve acontecer a partir de julho e durar quatro meses.

Segundo os organizadores, o festival deve ir contra a superficialidade da música pop atual. Eles não citam nomes, mas criticam a ausência de idelogia e valores. Daí a justificativa para adotarem o lema “Os poetas estão vivos”. Em trocadilho com a autoridade norte-americana (FBI), eles prometem investigar e encontrar “atitude” para a música. Para isso, eles contam com a ajuda de “Testemunhas”, como DJ Cléston e Tchello (Detonautas), Marcos Kleine (Ultraje a Rigor) e Da Ghama (Cidade Negra). As “testemunhas”, na verdade, serão jurados para avaliar as bandas que se inscreverem.

Para participar, é necessário ser, obviamente, uma banda (ou cantor/cantora) de rock e ter pelo menos uma música autoral. As inscrições custam R$ 10,00 para cada inscrito (cada membro da banda conta) e vão até o dia 15 de junho de 2012.

 

 

Para mais informações: @fbirock | fb.me/ospoetasestaovivos | fbi.mus.br

Em mais uma tentativa de promover sua rede social Google+ (ou Plus), a gigante norte-americana organiza no próximo dia 15/05 um evento online que contará com 100 transmissões ao vivo. O formato será o hangout, uma espécie de chat com vídeo, exclusivo do Google. Os participantes são separados por categoria: Arte, Revistas e Personalidades, Moda, Esporte, Humor, How To (espécie de aula rápida), Tecnologia e, claro, Música. Batizado de 100 Hangouts On Air, das atrações musicais, algumas já foram destaques aqui no blog:

- hidrocor: a banda indie foi destaque na coluna Eu Ouvi e vai tocar suas músicas do novo CD, conversando com os participantes. Horário: 15:00h;
- Soulstripper: essa é a banda na qual nosso colunista Chico Leibholz é baterista. Lançamos um clipe e duas músicas inéditas por aqui. Lá eles vão fazer uma jam com cada integrante em um computador.  Horário: 20:00h;
- Vivendo do Ócio: Também foram destaque na Eu Ouvi, quando lançaram “O pensamento é um imã”. O grupo faz um show acústico, com metade dos integrantes em SP e outra metade em Salvador. Horário: 20:00h;
- Vanguart: Já foram destaque duas vezes. Na Retrospectiva Sonora de 2011, entrou a faixa “Depressa“, do seu último disco “Boa parte de mim vai embora“. Recentemente, lançaram o clipe de “Mi vida eres tu” e também noticiamos por aqui. Horário:16:00.

Entre outros, menção ainda para outros bem interessantes:

- Nick Ellis: É blogueiro, editor de diversos sites de tecnologia como TechTudo e MeioBit (do qual é sócio). Este ano está com a bacana empreitada de tocar, em seu canal no Youtube, 366 músicas, uma por dia, ao longo de 2012. Durante seu hangout, lançará mais uma. Horário: 08:00h
- Lenine: o pernambucano, em turnê do disco “Chão”, ensinará a tocar uma de suas músicas. Horário: 16:00h
- Banda UÓ: Se 2011 foi o ano do rap, este só pode ser do tecnobrega. No hype total, eles falarão sobre a carreira, estilo e cantar um pouco, claro. Horário: 18:30h
- Marcelo Jeneci: Até falamos sobre ele, mas foi só uma música na Seleção Musical | Coffeeholics. Durante seu papo, transmitirá a inédita “Doce Loucura”, de seu novo álbum. Horário: 15:00h

Ainda há várias atrações a confirmar, em diversas áreas. Vamos acompanhando e atualizando aqui o Google+ 100 Hangouts On Air.

Foto: Fernando de Mello

Em 2009 eles gravaram seu último CD “Dia após dia lutando“, de forma independente e produzido pela própria banda. O disco conta com participações especialíssimas como Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), Marcelo D2 e os jamaicanos The Congos e Don Carlos. A capa desse é assinada pelos grafiteiros Os Gêmos, fãs declarados da banda.

Depois de lançar três disco de estúdio (e um demo), os cariocas da Ponto de Equilíbrio estão a pleno vapor (sem trocadilhos) para seu primeiro registro audiovisual ao vivo.

Considerada uma das maiores bandas de reggae do país, tem várias influências da música negra e do subúrbio carioca. O percussionista do grupo Marcelo Campos, por exemplo, é filho do compositor Gracia do Salgueiro e afilhado de Martinho da Vila. No penúltimo disco “Abre a Janela“, de 2007, gravaram um samba de seu pai “Janela da favela“, em versão reggae e reverente.

Agora Helio Bentes (vocal), Márcio Sampaio (guitarra base), Ras André (guitarra solo, violão e kete), Marcelo Campos (percussão), Lucas Kastrup (bateria), Tiago Caetano (teclados e backing vocals) e Pedro “Pedrada” (baixo e voz) prometem relembrar os poucos mais de 10 anos de carreira no que deve ser uma histórica noite no Circo Voador.

Gravação do DVD do Ponto de Equilíbrio
 Quinta, 14 de junho de 2012
 Circo Voador - Lapa
 Rio de Janeiro - RJ
 Ingressos de R$ 30,00 a R$ 80,00
 Abertura dos portões: 20:00hs
 Mais informações: Site do Circo Voador

Reggae a vida com amor

Depois de ser inaugurada na Praça XV, a exposição itinerante “Mães Pela Igualdade” chega à Praça Antero de Quental, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (9/5). O lançamento será às 18h.

Exposição na Praça XV

Exposição ficou uma semana na Praça XV | Foto: Divulgação

O público terá oportunidade de conferir 22 fotos e relatos de mães de homossexuais que tiveram suas histórias marcadas pelo preconceito. Fui conferi a exposição enquanto ela estava na Praça XV.

Fotos belas, em preto e branco, mostrando o amor entre mãe e filho. O que mais emociona, no entanto, não são as imagens, mas os relatos que, às vezes de modo tão simples, conseguem tocar no fundo de nossa alma e fazer com que as lágrimas se torne uma tarefa quase impossível. Não há como ficar insensível ao ler uma mãe dizendo que seu maior medo é que seu filho seja espancado covardemente pelo simples fato de estar andando na rua.

Painéis da exposição na Praça XV

Relatos de mães de homossexuais emocionam os visitantes | Foto: Divulgação

No dia 15, as fotos ficarão expostas na Praça Saeñs Pena, na Tijuca e, a partir do dia 22, será montada no Centro Cultural do AfroReggae, em Vigário Geral, completando, assim, o mês das mães. O projeto é uma iniciativa da ONG All Out, em parceria com o grupo “Mães pela Igualdade” e a Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio (CEDS-Rio).

Confira abaixo o depoimento de uma das mães da campanha:

por @marco_sa

Não só de trios elétricos vive Salvador. De Raul Seixas e Marcelo Nova a Pitty e Maglore, a cidade também produz rock dos bons. E a já experiente Cascadura é uma banda formada por lá. Neste que é seu quinto álbum, talvez seja esse o mais claro diálogo entre banda e cidade: História (com H maiúsculo mesmo) do descobrimento à escravidão, cultura, do candomblé à monarquia. E solos de guitarra, blues e soul, baladas de amor e participações especiais. Fábio Cascadura, andré t, Thiago Trad e Jô Estrada e, durante o processo, uma guitarra a mais por conta de Du Txai, apresentam “Aleluia“.

Em “Colombo”, primeira canção a ser divulgada, em julho do ano passado, um interessante arranjo de percussão, com peças em barro, madeira e couro, proporcionando um clima “marcial rústico”.  Como se não fosse o suficiente, temos a intvenção pra lá de especial de Siba e sua histórica rabeca. E a letra já entregava a intenção conceitual:

Loucos para cá virão
Aventureiro ladrão
Sermões e servos, escravidão
Os daqui saberão o que é ser triste.

“Sonho de Garoto” conta com os gaúchos da Cachorro Grande e um envolvente solo de guitarra 12 cordas de Jô. Citando versos de “Chorando no campo”, a homenagem a Lobão parece estar bem além da letra, quase uma versão (especifcamente aquela do Ira! em “Isso é amor”, de 1999). O próprio Lobão, que vez ou outra elogia publicamente a banda, qual não vai ser a alegria quando ouvi-la (se já não tiver ouvido)?

Em “Soteropolitana”, grata influência dos Rolling Stones, ainda que com frescor. Talvez seja a faixa que mais converse com e sobre Salvador. Vocacionada a um hino, tal como “Sympathy for the Devil”, Fábio explica a intenção da faixa e do trabalho como um todo:

…estabelecer algumas ligações, através da nossa abordagem, entre os muitos desdobramentos da influência da Diáspora Africana constituída a partir do tráfico transatlântico de escravos na música. Por isso, encontramos rock, blues, rhythm’n blues, bolero, samba, samba-reggae, toques de candomblé, nessa obra. Mas ainda há espaço e tempo para dizer que ela também é galega… Ibero-africana.

Já “Os reis católicos” volta ao clima marcial, monárquico, como em “Colombo”. Narrando a chegada dos europeus à Bahia (“O genovês ruivo, vindo de outra fé“) e a relação entre Ferdinando de Aragão e Isabel de Castela, uma balada romântica, apesar da ironia na letra. Mesclando português e espanhol, é uma declaração de amor de Aragão a Castela que se entreva e se enche de esperança na mesma letra.

Muitas chagas hão de rebentar
Não haverá como pagar
Ponhamos tudo na conta de Deus
Que dEle somos servos e Ele apenas é…

“Um engolindo o outro” tem letra é lamentavelmente atual: trata da cobertura midiática aos absurdos cotidianos, a chamada “banalização da violência”. Um blues, de cordas frouxas, como deveria ser… mas com uma intervenção pra lá de inusitada (não estivéssemos falando de uma das bandas mais inventivas do cenário nacional): um berimbau, tocado pelo guitarrista Du Txai. Em alguns momentos, parece que Fábio ou vai chorar, ou vai explodir. Ou os dois.

Uma das mais bonitas do disco, “Nunca imaginei” é carinhosa e até narcisista, de um jeito que não soe pejorativo nessa letra, com a cidade natal. Além da participação de Nando Reis (um paulista reverenciando lindamente a primeira capital), há uma referência clara aos Beach Boys na melodia. O jogo de sons com as rimas “mar/altar” e os versos “Mescla fundamental / Água doce e de sal / Céu descendo, azul, no chão do seu vitral” dão a impressão que a música tira seu chão por alguns minutos, não existe mais gravidade, somente ternura.

Quando estive em Salvador, em julho de 2010, ouvi essa expressão algumas vezes, sempre que algo de esquisito estava para acontecer, como um elemento suspeito me abordando às beiras do Elevador Lacerda. “Lá ele!” é a terceira e Fábio conta:

“O título dessa canção foi tirado de uma expressão corrente entre os que moram na Bahia: quando querem expressar a rejeição a algo de ruim que pode vir a lhe acontecer, a gente diz “Lá ele!”. O tema abordado aqui é o crack, que, como em outros centros urbanos, se tornou flagelo social na Cidade da Bahia”.

Para completar, há uma sutil referência ao candomblé, através dos elementos “terra” (Omolu) e “vento” (Iansã), numa súplica para que cuidem “dele”, o “Lá ele” da faixa, que poderia ser o elemento do Elevador Lacerda naquele dia…

Eu poderia comentar faixa a faixa, porque é um disco que, como ouvinte, empolgou-me. Quando dizem que não se faz mais música como antigamente, eu agradeço. Agora direi “Aleluia”. Cascadura reverencia o passado e sua cidade, com os pés no presente e olho no futuro. Salvador merece e o Brasil agradece.

Ouve aí algumas faixas. Logo abaixo tem o link para download:

Baixe o disco aqui.

por @Leoni_a_jato*

Publicado originalmente em www.leoni.com.br

Um tropeço ensina mais do que o sucesso

A injustiça dos vencedores

Resolvi escrever esse Diário de Bordo porque tenho visto muitos textos nas redes sociais afirmando que se você tiver vontade, coragem e diversas outras qualidades vai conseguir realizar o que quiser. Depende só de você. Normalmente são assinados por grandes vencedores: Walt Disney, Steve Jobs, Renato Russo, Paulo Coelho, Einstein e diversos novos famosos dizem com todas as letras – muitas vezes totalmente fora de contexto – que você só não “chegou lá” por culpa sua. Porque não acreditou o suficiente. Porque não se empenhou.

Isso é de uma injustiça e de uma covardia sem fim. E ainda coloca a pecha de “loosers” em 99% da humanidade. Temos que ser claros: não é possível que todos os seres humanos tenham a vida com que sonham, especialmente quando esses sonhos são irrealizáveis. Por exemplo, não dá para todo mundo ser rico – sonho paupérrimo de uma parcela enorme do mundo ocidental. A Terra não comportaria essa demanda de recursos e nem o lixo gerado por esses novos esbanjadores. Não dá para todas as mulheres namorarem o Brad Pitt. Não dá para todo mundo ser o número 1.

É claro que sugeri hipóteses exageradas, mas mesmo planos mais modestos podem não se tornar realidade. Uma carreira estável pode ser uma meta nunca concretizada. Todos dependemos de uma conjuntura favorável da economia – ou do setor em que trabalhamos, da empresa que escolhemos etc. O que parece sólido pode desmoronar diante de uma crise mundial, de uma catástrofe climática, de uma guerra, ou de uma doença que nos atinja. E sem nenhuma culpa nossa.

O que acho muito importante nas mensagens “motivacionais” é dizer honestamente que, apesar da possibilidade do fracasso – algo que nunca é admitido -, não tentar é muito pior. Que se nós desistirmos dos nossos sonhos ficaremos apenas com a certeza de que eles não se realizarão. Enquanto tentarmos teremos pelo menos alguma chance de sucesso. E podemos continuar nos empenhando e dando um sentido às nossas vidas enquanto corremos atrás do que nos é precioso.

E o fracasso também tem seu lado positivo de nos fazer mais realistas em relação às nossas metas, de ajustá-las ao mundo em que vivemos. E de aperfeiçoar nossos planos. Alguém já disse que “um tropeço ensina mais do que o sucesso.”

Continue lendo…

Não é o que parece. Apesar do nome, ele não é descendente do grande pensador libanês, autor de frases de efeito como “Todo o trabalho é vazio a não ser que haja o amor“. Mas se eles tem algo (além do nome) em comum, é o amor pelo que fazem.

O Clipe de Segunda hoje fica por conta do cearense Khalil Gibran, que recentemente lançou o disco “Noturno” (disponível pra download gratuito aqui). A música escolhida, uma das mais bonitas do trabalho, é um pop rock em homenagem a sua filha, personagem muito simpática nesse vídeo.

Curta também a página dele no Facebook. De vez em quando, ele dá uns pitacos por aqui.

dihitt
 
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